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    Campo de Santana

    Quando eu nasci, fui morar na Rua do Senado, ali no centro do Rio de Janeiro, bem pertinho da Praça Cruz Vermelha e do Campo de Santana. D. Araci me levava para brincar nestes dois lugares. Tenho fotos da Praça, mas não tenho fotos do Campo de Santana. Lembro-me vagamente de correr atrás das cutias, das imensas sombras. É um parque que mudou muito pouco, fisicamente, nestes últimos 50 anos. Já foi sertão da cidade, como o Rossio Grande (Praça Tiradentes). É uma localidade antiga e seu nome vem de 1753, quando foi ali construída uma igreja. Demolida em 1854 para a construção da primeira estação ferroviária urbana do Brasil,…

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    Solar na Senador Vergueiro

    Em minhas andanças da hora do almoço, reparei outro dia neste casarão. Já estivera lá várias vezes, e nunca tinha olhado para cima. Pudera, já chegava babando e com fome! Tombado em 5 de outubro de 2000, por um dos ilustres frequentadores, o imóvel agora é imexível. Em meados dos anos 90 do século passado, estavam pensando em demolir para construir um hotel no lugar. O ilustre frequentador era o Prefeito e arquiteto Luiz Paulo Conde. O decreto 18.999 diz: “CONSIDERANDO que o prédio situado na Rua Senador Vergueiro 11 e 15 se constitui no único exemplar de solar da segunda metade de do século XIX no bairro do Flamengo…”…

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    Casarão do Barão de São Clemente

    Muitos irão perguntar: “Que casarão é este?”. Pois é, tombado em 2014, o palacete que foi do cafeicultor Antônio Clemente Pinto Filho, o Barão de São Clemente, fica aqui pertinho do meu trabalho, na Rua Marquês de Abrantes 55. Um endereço tradicional, porque desde os anos de 1920 ele faz parte do Colégio Metodista Bennett. Foi construído em 1859. Aliás, com muita tristeza, o colégio fechou no último dia 17 de dezembro, vítima destes novos tempos, perdendo alunos, com alta inadiplência, não resistiu. Muitos não vem resistindo. “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de…

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    Praia de Botafogo

    Muito tempo atrás eu li um artigo do grande arquiteto e urbanista Paulo Casé, onde ele dizia que o Aterro do Flamengo, apesar de lindo e maravilhoso, afastava o carioca da Baía da Guanabara. Ele tem razão, esta mania de fazer pistas expressas na beira mar é uma idiotice carioca. Do Leme ao Pontal, nossa orla, ao invés de possuir praças, hotéis, restaurantes, espaços bacanas, possui pistas de alta velocidade. Falei do Leme ao Pontal para lembrar Tim Maia, mas podemos dizer que é do Centro ao Pontal, porque o Aterro é a pista de alta velocidade por excelência. E assim a Praia de Botafogo ficou lá isolada, com poucos…

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    São Salvador

    Esta semana passeei pouco, atarefado que estou com um trabalho de animação. Mas fui almoçar, e, como muitas vezes faço, escolhi um restaurante na Praça São Salvador. Esta praça, está para o Flamengo, mais ou menos como o Bairro Peixoto está para Copacabana, escondidinho ali, não é passagem para quase nada. Pequenina, mas animada. Tem um monte de bares, bloquinhos no carnaval e a estação dos Bombeiros que domina um dos lados do quadrilátero. Há quem diga que ali é mais para Laranjeiras, mas eu discordo. É um clima gostoso, meio família, meio maluco beleza, bem carioca. Adoro ir lá. Pensando em o que escrever sobre a praça, fui estudar…

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    O Grande Templo

    Quando eu nasci, meus pais moravam na Rua do Senado, ali pertinho da Praça Cruz Vermelha. Lembro-me de brincar na praça. Lembro me também, mas mais vagamente e sem fotos, de brincar com as cotias no Campo de Santana. Minha irmã inclusive nasceu na maternidade que tinha na Cruz Vermelha. Sou um local na área! Tenho voltado muito ali, mamãe está em tratamento no INCA, que está ali desde 1957. Fiquem tranquilos, mamãe está bem. Pois é, com todo este background, parei o carro um dia na Rua Washington Luis e ao olhar para o lado, PAM! Pareceu-me que 4 naves alienígenas tinham pousado no prédio em frente!!! Como eu…

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    Dia Azul no Morro Azul!

    Eu sempre tive uma grande curiosidade sobre o Morro Azul. Só vim saber que existia um morro ali quando da inauguração da Estação do Metrô Morro Azul, que depois mudou para Estação Flamengo atendendo a um pedido da população. Lembro vagamente até de uma fofoca dizendo que o Presidente Figueiredo, tricolor, de sacanagem não deixou ter uma estação Flamengo. Mas o fato é que eu andei de Metrô com estação Morro Azul, hehe. Pois é, ali entre o Flamengo, Botafogo e Laranjeiras, tem um pequeno morro cheio de histórias. Por um lado, o lado da Universidade Santa Úrsula e o Palácio do Governador, foi feito um corte na pedra e…

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    Poveiros!

    Pois é meus amigos, várias vezes passei pela Rua do Bispo (“Rua do Bispo, a caminho do mar!”, gritava Lucélia Santos em comercial imobiliário dos anos 80 do século passado, quem lembra desta forçação de barra?), bem, até me perdi… voltando, ao passar pela Rua do Bispo outro dia, reparei na Casa dos Poveiros e fiquei de um dia parar por lá para fotografar. Foi hoje, parei e fotografei. Tudo parado por lá, o vigia me disse que em dias normais, sem pandemia, naquela hora o local estaria fervendo de gente. Mas o que seria uma casa de poveiros, que o corretor ortográfico cisma de corrigir para coveiros? Pois tive…

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    Praia do Caju!

    Ah amigos… difícil imaginar que o bairro do Caju já teve uma praia linda e limpa, bem como outros bairros que hoje encontram-se tão afastados do mar. Como, por exemplo, colocar na mesma frase as palavras Praia e Inhaúma? Pois é, mas a Baía da Guanabara tinha praias em quase toda a sua extensão. Uma delas, bem pertinho, era a Praia do Caju. Toda a região onde hoje fica o bairro do Caju foi propriedade do rico comerciante português José Gouveia Freire. O Caju era de muitas belezas naturais. “Era uma região belíssima, de praias com areias branquinhas e água cristalina, onde não era rara a visão do fundo da…

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    Cemitério da Ordem 3ª da Penitência

    Hoje não foi um dia feliz, mas também não foi um dia triste. Foi um dia sereno e como fui o primeirão ao chegar no velório de D. Lilia, mãe do meu grande amigo João Mendes, tive tempo para meditar um pouco, olhar um pouco um cemitério que eu nunca tinha entrado. Ali, no Caju, são vários cemitérios colados, um ao lado do outro. O maior deles é o Cemitério de São Francisco Xavier e depois temos o Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, o Cemitério Comunal Israelita do Caju e este que eu fui hoje, o Cemitério da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. O seu nome…