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Rio da Prata do Cabuçu, de Campo Grande

Este fim de semana, fui convidado para provar da hospitalidade da agradável estância de Christinópolis. Christinópolis, ou Christinalândia, é uma parte do bairro carioca de Campo Grande. Campo Grande foi habitado antigamente pelos índios Picinguaba, sua ocupação é tão antiga quanto 1603! Está a 55 quilômetros do centro do Rio, e com uma área de quase 120 km2, é o segundo maior bairro do Rio em extensão territorial, e também o mais populoso, com umas 400 mil alminhas vivendo na região. Christinópolis não tem uma área completamente definida, ela acompanha os deslocamentos da amada Chris, e vai pelo menos até o Ciep Professor Darcy Ribeiro , certamente até o Craque do Pão e o Guanabara.

Depois de dormir um sono dos anjinhos, no silêncio que é Campo Grande, acordei com vontade de ir conhecer o Rio da Prata. Eu ouço falar tem tempo, e já que eu estava por lá, quis ir conhecer. Esta história vem dos tempos do grande Engenho do Cabuçu, que era de propriedade de Úrsula Martins, no final do século XVIII, mãe de Anna Maria da Conceição e do Sargento-Mor (patente na época de oficial superior, acima de capitão e abaixo de tenente-coronel) Joaquim Cardoso dos Santos, que passou a administrá-la a partir de 1811. Fazia limite com as terras de João Fernandes Barata, com a propriedade de José Pereira Monteiro Torres, dono das terras do Cabuçu de Baixo, com a posse de José Justino de Silveira Machado, em Cachamorra, e com a Fazenda do Juary, do Major Agostinho José Coelho da Silva.

Sobre a região nos fala o Professor Adinalzir Pereira Lamego:

“Na década de 1870, a Fazenda Cabuçu já era uma importante produtora de café e aguardente. Existiam também a Fazenda do Rio da Prata do Cabuçu e a do Rio da Prata do Mendanha.

No século XIX, o Rio da Prata viveu de forma intermitente o ciclo da laranja, que tomou conta de Campo Grande e de outros bairros da então zona rural da cidade, além da Baixada Fluminense, durante os anos 1930 e 1940, em Nova Iguaçu principalmente. Além das laranjas, que, no auge da produção, ocupavam, não só a parte plana, como também as colinas do Rio da Prata, houve grande produção de mamão na década de 1920, produzido principalmente por portugueses que haviam chegado recentemente à região. Tomate, chuchu e hortaliças em geral, além de abacate, manga, banana e caqui também tiveram grande importância na economia do Rio da Prata. Na área do Lameirão Pequeno também houve grande produção de cana de açúcar, vendida principalmente para pastelarias e lanchonetes, que começavam a proliferar no centro de Campo Grande.

Após a decadência da produção da laranja, no final dos anos 1950, produção que era também exportada, os fazendeiros que resistiram passaram a vender a fruta só para o mercado interno. Hoje o forte da produção do Rio da Prata é de plantas ornamentais, embora alguns pequenos sítios ainda produzam caqui e banana, além de existir uma horta no Lameirão Pequeno e mangueiras por todo o lado.

Peguei o carro e toquei para as montanhas, não é pertinho, Campo Grande é realmente grande. Chegamos no Largo do Rio da Prata, que parece uma pequena cidade do interior do Rio. A Igreja, a praça, um coreto, cavalinhos e uma bica. O coreto e a bica, estão tombados desde 1996. A bica é uma peça francesa, composta por uma bacia em ferro fundido com azulejos, foi instalada na praça na década de 1930. A bica era originalmente utilizada para os tropeiros darem água para os animais que traziam as mercadorias dos morros para serem vendidas em feiras e mercados.

O Largo do Rio da Prata é um ponto histórico e a praça recebeu em 1958 o nome de Praça Engenheira Elza Pinho Osborne para homenagear a engenheira civil que foi fundamental para o desenvolvimento de Campo Grande. Na década de 1960, a engenheira, então administradora regional, pretendeu transformar a localidade do Rio da Prata na “Petrópolis Carioca”, idealizando um hotel na Serra do Rio da Prata, que nunca saiu do papel.

A Agroprata foi criada em 2002 e permanece atuante até os dias de hoje. A associação tem por objetivo  o fortalecimento do agricultor local, valorizando sua produção e auxiliando-o na adoção de boas práticas agrícolas. Hoje, todos os agricultores da Agroprata são certificados como orgânicos e a associação é uma das maiores produtoras de caqui do estado do Rio de Janeiro. A Agroprata produz e comercializa frutas (especialmente banana e caqui), além de aipim, hortaliças e plantas medicinais. Os alimentos produzidos são comercializados em feiras do Circuito Carioca de Feiras Orgânicas na cidade. Há até uma solicitação à Fundação Cultural Palmares do reconhecimento de agricultores tradicionais do Rio da Prata como comunidade remanescente quilombola.

Ao redor da praça, e na entrada, existem vários grandes restaurantes. De noite deve ser um fervo, mas no horário em que eu conheci, estavam vazios.

Bati as fotos e toquei para ir conhecer as cachoeiras. Botei do Google Cachoeiras do Rio da Prata e ele achou de primeira, indicando um caminho. Fui atrás dele. Inicialmente um asfaltinho, ele foi ficando ruim até virar uma trilha esburacada onde muitos não tem coragem de enfrentar. Mas, mesmo sem jipe, eu sou jipeiro e meti o Celtinha buraqueira acima. Fui até o famoso Bar e Cachoeira do Zezinho, dali prá frente, só com uma moto trilheira. Com meu saudoso Land Rover eu poderia ir um pouquinho mais, até a primeira ponte, mas não valeria a pena. Esta trilha, segundo uns trilheiros que cruzamos, vai embora e cruza a montanha, passando por várias cachoeiras. Cuspindo os bofes, fomos até o primeiro pocinho, fizemos uma fotos e descemos. Eu até aguentaria trilhar mais um pouco, se fosse mais cedo e se nós estivéssemos mais preparados, com água e roupas mais adequadas.

Na volta, longe prá caramba mas ainda em Campo Grande, fomos almoçar sardinhas no Divina’s Bar, que clama ser a melhor sardinha do Rio de Janeiro. Ó… vou te contar… sequinha, crocante, uma delícia.

E assim foi o meu fim de semana com a amada Chris. Simples, divertido, atlético, ecológico, culinário e barato. E olhei mais um pedaço de nossa imensa e linda cidade.

Publicitário, Designer, Historiador, Jornalista e Pioneiro na Computação Gráfica. Começou em publicidade na Artplan Publicidade, no estúdio, com apenas 15 anos. Aos 18 foi para a Propeg, já como Chefe de Estúdio e depois, ainda no estúdio, para a Agência da Casa, atual CGCOM, House da TV Globo. Aos 20 anos passou a Direção de Arte do Merchandising da TV Globo onde ficou por 3 anos. Mudando de atuação mais uma vez, do Merchandising passou a Computação Gráfica, como Animador da Globo Computação Gráfica, depois Globograph. Fundou então a Intervalo Produções, que cresceu até tornar-se uma das maiores produtoras de Computação Gráfica do país. Foi criador, sócio e Diretor de Tecnologia da D+,depois D+W, agência de publicidade que marcou uma época no mercado carioca e também sócio de um dos primeiros provedores de internet da cidade, a Easynet. Durante sua carreira recebeu vários prêmios nacionais, regionais e também foi finalista no prestigiado London Festival. Todos com filmes de animação e efeitos especiais. Como convidado, proferiu palestas em diversas universidades cariocas e também no 21º Festival da ABP, em 1999. Em 2000 fundou a Imagina Produções (www.imagina.com.br), onde é Diretor de Animações, Filmes e Efeitos até hoje. Foi Campeão Carioca de Judô aos 15 anos, Piloto de Motocross e Superbike, mantém até hoje a paixão pelo motociclismo, seja ele off-road, motovelocidade e "até" Harley-Davidson, onde é membro fundador do Museu HD em Milwaukee. É Presidente do ForzaRio Desmo Owners Club (www.forzario.com.br) e criou o site Motozoo® - www.motozoo.com.br -, onde escreve sobre motociclismo. Como historiador, escreve em https://olhandoacidade.imagina.com.br. Maiores informações em: https://bio.site/mariobarreto

2 Comentários

  • Maria Inês Barreto da Costa

    Que delícia de passeio! Adorei! Taí uma parte da cidade maravilhosa que nunca tive a oportunidade de conhecer. E fiquei com água na boca pelas sardinhas fritas 😋

  • Chris Carvalho

    Sabe um domingo perfeito, com direito a um céu de brigadeiro, aventuras radicais e gastronômicas? Pois é, isso para provar que “Christinópolis” é também cultura e lazer, e que nem só de zona sul vive as alminhas cariocas… Rsrsrs! Mas, a melhor parte, é sem dúvida descobrir o mundo com você…❤️

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