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Casa do Porto

Como meu amigo Arcanjo falou, a Tijuca é cheia dos clubes portugueses, e eu nunca tinha reparado.

“Repare que esse pedaço da cidade é repleto de clubes regionais. Orfeão Portugal na rua Aguiar, Casa das Beiras na Barão de Ubá, Vila da Feira e Terras de Santa Maria na Hadock Lobo, Casa do Porto na Afonso Pena, Casa dos Açores na Melo Matos. Vale a pena pesquisar o motivo. Abraços”

Eu primeiro escrevi aqui no Olhando a Cidade, sobre o Clube dos Poveiros, e depois sobre o Clube dos Feirenses. Mais depois ainda eu passei pelo Orfeão Português, e só hoje vi a Casa do Porto. Ainda tem mais, aos pouquinhos vamos vendo todos eles.

Ao que parece com pequenas diferenças, todas estas casas regionais sofrem do mesmo mal, o envelhecimento da comunidade portuguesa e a dificuldade em atrair jovens para estes espaços.

A Casa do Porto, por exemplo, teve como presidente por 7 décadas, isso mesmo, 70 anos, o Sr. Manuel Branco, que faleceu agora em 2021 com mais de 92 anos.

“A Casa do Porto foi fundada para unir portugueses e brasileiros, assim diz o nosso estatuto, visando também atrair aqueles ‘tripeiros’, portuenses, para que se reunissem nesta casa. O nosso fundador correu entre bares e restaurantes, à procura de pessoal do Porto para fundar esta casa, e conseguiu, em 1945”

E continuou:

“As coisas mudaram muito ao longo destes 70 anos. Naquele tempo havia por aqui muitos portugueses, mas agora são poucos. Atualmente, é muito difícil formar-se uma direção para administrar as casas regionais. Hoje não é como naquele tempo, em que as pessoas vinham e trabalhavam por gosto, e faziam surgir grandes obras, como hospitais, associações, como a Caixa de Socorros D. Pedro V, o Liceu Literário Português ou o Real Gabinete Português de Leitura”, disse o Sr. Branco em reportagem para o jornal Açoriano Oriental.

Pois é, as reuniões parecem estar vazias, mesmo com todo o esforço dos poucos portugueses que ainda dão muito valor a cultura e a tradição do Porto.

O site da Casa do Porto não está funcionando, mas eles tem uma página no Facebook que pode ser acessada clicando aqui.

Ela está localizada na Rua Afonso Pena 39. Parei a moto na calçada e entrei para fotografar. A casa está em obras, fechada. Na fachada cartazes da Igreja Metodista, que parece utilizar o imóvel e uma placa de aluguel para a quadra de esportes. Tudo parado, talvez pelo horário e pelo calor, mas entrei, andei e ninguém veio falar comigo e também não vi ninguém.

O que não deve faltar é construtora querendo colocar esta casa abaixo, ali pertinho do Metrô Afonso Pena, para fazer um “Village D’Qualquer Coisa”. Espero que a comunidade do Porto encontre um novo Presidente e que consiga manter-se firme e fazer crescer este pedaço de história do Rio de Janeiro.

Por Mário Barreto

Historiador, Diretor de Filmes, 3D/VFX. Guru em Computação, viciado em Motociclismo.

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