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Passeio de moto na Floresta da Tijuca

Apesar das promessas de chuva, hoje amanheceu um dia bonito aqui no Rio de Janeiro. Eu estava torcendo muito para isso, pois meus planos incluíam um rolé de moto pela Floresta da Tijuca para fazer matéria para o meu outro Blog, o Motozoo®. Meu amigo Bernardo viajou no carnaval e deixou-me uma linda Yamaha DT180 placa preta e eu resolvi escrever uma matéria sobre ela. E, para escrever, tive que andar. Quem gostar de moto, depois vá lá no Motozoo® saber o que eu achei desta experiência.

Eu estou tijucano e para mim é fácil chegar na Floresta. Com uma curvinha eu já estou na Rua Conde de Bonfim e aí é só ir reto até Usina, passando pela Muda, e subir a Floresta. Usina e Muda são sub-bairros da Grande Tijuca. Existem algumas versões para o motivo do local ser chamado de Muda, mas todas elas são ligadas, com pequenas diferenças, na muda de cavalos que iriam levar os bondes até o Alto da Boa Vista. Uns defendem que mudavam as ferraduras, outros defendem que se mudavam os cavalos, por outros descansados para enfrentar a subida da serra. Já a Usina foi que em 1898 foi criada a segunda linha férrea de bondes movida a eletricidade, a Estrada de Ferro da Tijuca e a eletricidade que movia estes bondes era gerada em uma usina termelétrica localizada na Tijuca. Dessa usina teve origem o nome Usina, para a parte situada no alto, próximo à Serra. Eu, até hoje, burramente, pensava que a energia seria hidroelétrica, esquecendo que para fazer isso tem que ter um reservatório, um lago. Estúpido eu.

Eu adoro passear pela floresta, apesar de nunca ter zanzado por lá a pé, de maneira que nunca fui nas grutas e cachoeiras, além das trilhas até os picos, de onde se observa toda a cidade. Na maioria das vezes eu fui de moto, o que me permite passear por vários locais, não me cansar (kkk), mas sinto falta de um dia parar a moto e entrar em uma trilha destas. Uma vontade fraquinha, mas tenho.

Dei uma paradinha na Praça do Alto, que já escrevi aqui no Olhando a Cidade, em saudosa postagem com mamãe. Dali, basta entrar na Floresta, a pé, de bike, de carro, de moto. De carro ou moto você recebe uma plaquinha, anotam a sua placa e você tem que devolver na saída lá pelo Açude da Solidão.

Logo de cara, primeira atração, tem-se a Cascatinha Taunay. É linda. Não se pode ir lá para a queda d’água, mas tem uma “prainha” logo depois onde muita gente vai se refrescar. Tem um grande estacionamento e antigamente tinha um restaurante ali. Está fechado. Uma pena, o local é ótimo para um lanche ou almoço, não entendo isso. “Em 1817, o artista Nicolas Antoine Taunay construiu uma pequena casa perto da cascatinha e, encantando, imortalizou a beleza da queda d’água em seus quadros. Ele se tornou o grande anfitrião da floresta, organizando reuniões para a corte. A casa de Taunay foi demolida em 1946.”

Na sequência, passei pela Capelinha Mayrink, uma lindeza. “Inicialmente, recebeu o nome de Nossa Senhora de Belém; em 1896, passou a se chamar Capela Mayrink após a área ser vendida ao Conselheiro Francisco de Paula Mayrink”

Continuei subindo e passei pelo abandonado Restaurante A Floresta, quase completamente destruído. Este eu nunca fui e novamente acho uma pena desperdiçar um local tão lindo e bacana. “Restaurante no estilo colonial, A Floresta, foi erguido em cima das fundações da antiga senzala e está aberto ao público durante o horário de funcionamento do PNT.”

Nesta subida eu fui até o Bom Retiro. “do Bom Retiro que muitos iniciam o Circuito dos Picos, que tem 19 quilômetros de extensão e passa pelos dez principais picos do setor Floresta.”

Dali comecei a descida. No caminho passei por uma grande família de Quatis, que abundam no parque. Eles são lindos, são amistosos, mas não convém tentar pegar um deles. No máximo dar o dedinho para que eles cheirem e bater muitas fotos!

Continuando, conheci a Cascata da Baronesa, muito linda e acessível. Nunca tinha visto. Esta dá para ir até a queda d’água, que são duas.

Depois passei pela Vista do Almirante e dali passei pelo Restaurante os Esquilos. Este eu já fui várias vezes, até em casamentos!!! Não está em muito bom estado de conservação mas é muito pitoresco e certamente vale uma visita para almoço.

Dali virei a direita e caí fora do parque pelo Açude da Solidão, que não parei para fotografar.

Fui então, usando a Estrada da Paz, continuação da Estrada do Açude, até a localidade conhecida como Vale Encantado. Quando eu era adolescente a onda era levar as meninas para beber batida de vinho em um barzinho que tinha lá em cima, com uma vista espetacular da Barra da Tijuca. Lá em cima morava o Sr. Arthur Sendas, dono das Casas Sendas, tem uma igrejinha linda. Um condomínio isolado, com uma vista sensacional. Meu saudoso amigo e guru Ruy Tahjra morou ali e em três anos fez três filhas, teve que mudar-se senão seria uma filha por ano… Tinha um empreendimento, um hotel do tipo Time Sharing, o Enchanted Valley, que acabou e não sei como anda. O tal do Barzinho que era isolado lá no alto da floresta, acabou e ali agora tem uma grande “comunidade”. Mais uma pena e desperdício de lugar lindo.

Antigamente também era possível dar a volta pela Estrada do Soberbo em uma rua normal. Mas foram muitas chuvas, muitos desabamentos catastróficos nos últimos 60 anos e hoje temos uma trilha apertada no meio do mato que assusta, mas deixa passar. Por baixo eu descobri uma trilha que volta e chega até o Vale Encantado, muito legal e dá para fazer um trail super leve, além de revelar uma linda vista da Barra da Tijuca, coisa que lá em cima está difícil de obter por conta das árvores grandes que não são podadas.

Da Estrada do Soberbo, um local esquecido no meio da Floresta e do Rio de Janeiro, liga-se com a Estrada do Tijuaçu, onde uma comunidade cresce com força e volta-se para a rua principal do Alto da Boa Vista, a Estrada de Furnas, que leva para a Barra da Tijuca.

Mas eu voltei, peguei a Estrada da Gávea Pequena e fui até a casa do Prefeito lá na Gávea Pequena. Esta casa tem uma história bem interessante e pode ser consultada, por exemplo, clicando aqui. Nosso Prefeito Dudu Paes gosta de lá, onde faz festas, recepções e usa-a com frequência.

Dali peguei a Estrada da Pedra Bonita e fui lá na rampa de saltos da Pedra Bonita. É uma subida SUPER íngreme, que carros e motos tem que fazer de primeira e que eu não sei se conseguiria subir em meu estado físico atual. Quando garoto, lembro-me que diversas vezes eu e meu amigo Sérgio Salícios saltávamos do ônibus na Pracinha do Alto e íamos a pé até o topo da Pedra Bonita. Rindo e conversando. Meu Deus… não consigo imaginar toda esta energia.

Na entrada da trilha da Pedra Bonita hoje tem um restaurante bem bonitinho, um lugar interessante. Parei a moto no estacionamento mais embaixo, porque lá na boca da rampa só podem parar os pilotos. Encarei uma subida super íngreme nos calcanhares e cheguei lá em cima bufando com os batimentos a 180bpm… Estou muito fora de forma. Revi o visual, não tinha vôos nesta hora, pois segundo a senhora que opera um barzinho lá em cima, estava perigoso. Serviu-me uma Coquinha über geladinha que foi reparadora.

Até a descida da rampa é perigosa, porque os freios são muito exigidos, não pode deixar embalar senão vai virar Paris Dakar… passei de novo pela casa do Prefeito, peguei a Estrada da Vista Chinesa mas não fui para lá, voltei para a Pracinha do Alto para comer alguma coisa e encerrar o rolé.

Nossa cidade está localizada em um lugar lindo. É realmente um privilégio poder contar com uma floresta e tantas atrações tão pertinho de casa. Uma pena, e talvez uma dádiva também, que a maioria dos cariocas não conhecem estes caminhos. Bom porque não ficam lotados. Ruim porque as pessoas só cuidam daquilo que conhecem, e como não conhecem, não ligam.

Espero que tenham gostado. Estou por aí, olhando a cidade.

Publicitário, Designer, Historiador, Jornalista e Pioneiro na Computação Gráfica. Começou em publicidade na Artplan Publicidade, no estúdio, com apenas 15 anos. Aos 18 foi para a Propeg, já como Chefe de Estúdio e depois, ainda no estúdio, para a Agência da Casa, atual CGCOM, House da TV Globo. Aos 20 anos passou a Direção de Arte do Merchandising da TV Globo onde ficou por 3 anos. Mudando de atuação mais uma vez, do Merchandising passou a Computação Gráfica, como Animador da Globo Computação Gráfica, depois Globograph. Fundou então a Intervalo Produções, que cresceu até tornar-se uma das maiores produtoras de Computação Gráfica do país. Foi criador, sócio e Diretor de Tecnologia da D+,depois D+W, agência de publicidade que marcou uma época no mercado carioca e também sócio de um dos primeiros provedores de internet da cidade, a Easynet. Durante sua carreira recebeu vários prêmios nacionais, regionais e também foi finalista no prestigiado London Festival. Todos com filmes de animação e efeitos especiais. Como convidado, proferiu palestas em diversas universidades cariocas e também no 21º Festival da ABP, em 1999. Em 2000 fundou a Imagina Produções (www.imagina.com.br), onde é Diretor de Animações, Filmes e Efeitos até hoje. Foi Campeão Carioca de Judô aos 15 anos, Piloto de Motocross e Superbike, mantém até hoje a paixão pelo motociclismo, seja ele off-road, motovelocidade e "até" Harley-Davidson, onde é membro fundador do Museu HD em Milwaukee. É Presidente do ForzaRio Desmo Owners Club (www.forzario.com.br) e criou o site Motozoo® - www.motozoo.com.br -, onde escreve sobre motociclismo. Como historiador, escreve em https://olhandoacidade.imagina.com.br. Maiores informações em: https://bio.site/mariobarreto

3 Comentários

  • Maria Inês Barreto da Costa

    Quem te conhece, sabe, que você tem um caso de amor com essa floresta.
    Sempre que pode, vai pra lá admirar tanta beleza e tranquilidade.
    Realmente, um privilégio!

  • Rosa Amaral

    Como sempre, primo, você foi perfeito na descrição dos lugares nos mostrando um outro lado da nossa cidade tão castigada e abandonada mas maravilhosa e linda com seus encantos naturais.
    Obrigada por nos brindar com suas observações sobre a nossa Cidade Maravilhosa!😍💝📷

  • Cesar A FILIPPONE

    Saudades muito grande desse pedacinho de lugar que amei, e hoje morador de um outro pedacinho fantástico ( Teresópolis – RJ). Obrigado, pela exposição de alguma coisa que me deixou bastante satisfeito e feliz, pois passou um filme por minha cabeça à medida que as fotos iam passando .

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