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Praia das Virtudes

Seu Bento, papai, quando chegou ao Rio de Janeiro estava dedicado a ter uma vida atlética. Crescido na fazenda em Abaeté/MG, foi para Belo Horizonte e virou playboy. Vivia na noite, namorando bailarinas de cabaré até que ficou muito doente (aí me falha a memória agora, pneumonia ou tuberculose). Minhas tias eram enfermeiras, pelo menos 3 delas, uma delas lá em BH curou-o e mandou-o para o Rio de Janeiro, de forma a afastá-lo das más companhias. Curado, assustado, dedicado a ser atleta, foi ser remador do Vasco da Gama!

A Sede Náutica do Calabouço

Lá no Vasco foi campeão carioca de remo, ganhou um título de sócio remido e a vida inteira frequentou a sede náutica do clube, ali no Calabouço.

Um barco a remo abandonado no Calabouço

Fui com ele diversas vezes lá, onde ele encontrava os parças e onde joguei com ele algumas partidas de pelota basca, um esporte que ninguém conhece ou pratica. Só lá mesmo, que eu saiba. Tenho um carinho muito especial por este local da cidade, porque me lembra meu pai.

A quadra de Pelota

Esta semana tive uma reunião de trabalho com meu grande amigo Hernani Heffner na Cinemateca do MAM. Cheguei um pouco mais cedo e parei a Vespa ali na frente dos clubes náuticos, o Internacional, o Santa Luzia, o Boqueirão do Passeio e o Vasco da Gama. Fui andando devagar, é uma região linda da cidade. Na volta, dei de cara com uma placa: Praia das Virtudes. Nunca tinha ouvido falar.

Pois é, tem história. A Praia das Virtudes foi a última praia do centro do Rio de Janeiro, após a destruição da Praia de Santa Luzia com o advento do desmonte do Morro do Castelo e a construção do Aterro do Flamengo. Primeiro foi-se Santa Luzia, e seus frequentadores passaram para a Praia ao Lado. Dizem que o Vasco da Gama deu este nome para a Praia para moralizar o local, conhecido até então como o cantinho de cenas amorosas.

Era um Rio de Janeiro completamente diferente do de hoje, o Centro era efervescente, repleto de bailes e atraía multidões.

Em 2019 o mesmo Vasco da Gama resgatou e reinaugurou a Praia das Virtudes, colocando esta placa que eu vi. De praia não tem mais um grão de areia, mas fica esta história que para mim é linda.

Por Mário Barreto

Historiador, Diretor de Filmes, 3D/VFX. Guru em Computação, viciado em Motociclismo.

5 respostas em “Praia das Virtudes”

E namorar não é uma virtude? Nome mais que acertado, em todos os sentidos! Adorei conhecer essa história! Grata!

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