Igreja Abacial de São Bento
Meus amigos, em 62 anos de vida na cidade do Rio de Janeiro, eu nunca subi o morro para conhecer as instalações dos monges beneditinos do Rio de Janeiro. Nunca. Tive e tenho amigos que estudaram no Colégio São Bento, mas nunca tive oportunidade ou fui convidado para ir lá dar uma olhada. E Bento era o nome de meu Pai. “Meu Jesus Cristinho”, é muito impressionante. E o importante, agora, é que agora eu vi. A Mônica gentilmente me convidou para conhecer e fomos a missa.

O Brasil de hoje é “titica de galinha” perto do que foi nos séculos passados, a verdade é essa. Hoje somos um país do terceiro mundo, pobre, lutando contra a exploração pelo primeiro mundo, eivado de corrupção e problemas difíceis. Mas nos séculos XVI, XVII , XVIII e XIX nós fazíamos parte e depois fomos até capital e centro de um Império Global. Portugal foi uma potência global, sendo o primeiro império verdadeiramente global da história, especialmente nos séculos XV e XVI, com um vasto império colonial que abrangia territórios na Ásia, África e América. A importância do Império Português, do qual este lugar aqui que se chama Brasil, nos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX, fazia parte, é um tema de vasta magnitude, que moldou profundamente a história global. E era muito rico.



Eu acho que esta seria a perspectiva para adotar ao admirar a nave da Igreja Abacial do Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro. Estamos diante de um trabalho que traduz toda a riqueza e importância do Império Lusitano naquele momento. Não é um trabalho que reflete a nossa condição atual, ele certamente reflete as condições passadas, que eram suntuosas. É muito impressionante a quantidade de detalhes para observar. São infinitos detalhes, são infinitas belezas. Como eram capazes de produzir tamanha obra, de tanta beleza, sem equipamentos, sem computadores, sem CAD, sem 3D, sem nuvem, com ferramentas primitivas comparadas com as de hoje? Quantas decisões de Design… IMPRESSIONANTE. O Mosteiro tem um site bem completo, contando toda a sua história, que pode se acessado clicando aqui.










A Missa foi diferente. É uma missa que eu chamaria de missa sensorial, pelo uso do incenso, pelo coral, pelo estilo de Missa Cantata, ou Missa Alta, onde há muitas partes cantadas. Tudo isso envolve os sentidos. E é também uma missa turística, pois sendo famosa, muitos turistas comparecem para conhecer o Mosteiro e fotografar suas lindezas. O celebrante de hoje, um monge jovem, fez uma homilia que achei bem adequada, conectando as leituras bíblicas com a vida dos fiéis, atualizando a Palavra de Deus para o presente e motivando a comunidade a viver o Reino de Deus. Isso devia ser o mais utilizado, mas não é, eu vejo muitas homilias herméticas, distantes da vida moderna.
Adorei tudo, o local, os monges muito amáveis, a missa muito bonita. Recomendo para todos ir lá olhar esta jóia da cidade, “O mais belo monumento colonial que o Brasil possui!”, disse Dom Henrique Golland Trindade, OFM, 1897-1974.
















