Desperdícios do Rio… Praia da Bica
Meus amigos leitores, hoje voltei a um dos lugares que mais gosto na cidade. A linda Praia da Bica na Ilha do Governador. Quando eu tinha uns dez anos, D. Araci (mamãe), desencanada que era, deixava-me ir de ônibus de casa, em Olaria, até lá, onde meu Tio João morava, para ir a praia. Tudo bem que eram outras épocas, meio século atrás, mas mamãe exagerava um pouco né? Por exemplo, todo o meu curso no Conservatório Villa-Lobos, na Rua Ramalho Urtigão, eu fiz indo sozinho de ônibus para o Centro, no 350, Irajá-Tiradentes, que eu pegava na Avenida Brasil. Hoje quase não deixamos os filhos irem sozinhos na padaria…

E a Praia da Bica de meio século atrás era melhor ainda. A água clarinha, onde eu entrava até a água chegar na barriga e eu continuava vendo com clareza os meus pezinhos… onde eu catava conchinhas fechadas e pedrinhas coloridas. A Baía da Guanabara era outra coisa. Lembro-me também que quando íamos de carro para Niterói usando as barcas, elas eram acompanhadas por golfinhos nadando ao lado em quase 100% das vezes. A Baía era infestada de golfinhos… vocês acreditam?
Quando o ForzaRio era um DOC (Desmo Owners Club da Ducati) oficial, eu fiz um evento lá na Praia da Bica e simplesmente 100% dos membros mauricinhos que sempre moraram na Zona Sul do Rio de Janeiro nunca sequer ouviram falar de sua existência, nunca estiveram lá. Outros, hoje em dia, morrem de medo de ir a Ilha do Governador e outros lugares da cidade, e acham que eu sou maluco por simplesmente sair e olhar a cidade.

Eu já fiz aqui no Olhando a Cidade um post falando sobre a Capela Imperial, que fica em uma das pontas da praia. Hoje eu fui ao aeroporto levar o filho da Alessandra e depois resolvemos ir almoçar por lá. Que escolha magnífica. Escolhemos um quiosque na beira da areia, de onde tivemos uma vista espetacular do Rio de Janeiro, com Pão de Açúcar, Cristo, todo o centro e o maciço da Tijuca. Vê-se também um bom pedaço da Ponte Rio-Niterói e de noite, a Roda Gigante piscando. É lindo. Uma brisa fresca, e na areia famílias pegando sol, correndo, na maior calma, sendo servidas em mesinhas de plástico por garçons.
Dezenas de garças voando para lá e para cá e a água visivelmente clarinha, mas provavelmente ainda suja. Poucas pessoas dentro da água, mas estava rolando um evento de pescadores e tinham diversos caiaques dentro da água. Um relaxamento que é impossível de se conseguir em qualquer praia do Rio de Janeiro.

As casas e edifícios na orla são bem ecléticos. Temos de todos os tipos e jeitos. Uns bem cuidados, outros abandonados… eu não entendo como o Rio de Janeiro desperdiça cenários como estes, lugares lindos de morar, e prefere gastar os tubos para ir morar em condomínios sem absolutamente nenhum atrativo na Barra da Tijuca. Mais para o fim da praia, próximo a instalação da Marinha, várias casas e imóveis à venda, em um lugar destes… uma coisa que me é difícil de imaginar.
Depois de almoçar, saí para a tradicional volta pelas praias da Ilha. Nenhuma é tão organizada e com o urbanismo da Praia da Bica, mas todas certamente irão merecer um post aqui no Olhando a Cidade. Aguardem.
Eu recomendo ir passar um dia lá e olhar a Praia da Bica. É uma experiência para curtir um Rio de Janeiro diferente, talvez mais antigo e que certamente não existe em outro lugar.

















