Terras de São Roque
E ontem, lindo dia de sol, voltei depois de uns 8 anos, a visitar a sempre bucólica Ilha de Paquetá. Tava meio duro (meu estado mais constante nos últimos anos tem oscilado entre meio e totalmente duro) e queria fazer um passeio legal, que durasse a tarde toda. Em dia de decisão de Libertadores, achei que seria uma boa apresentar a Ilha de Paquetá para a Mônica. Foi bom, foi ótimo.

Parece que agora só temos estas barcas grandes servindo ao trajeto, aquelas menores e mais rápidas foram aposentadas. Segundo um papo que tivemos com frequentadores, por falta de manutenção os catamarãs turbinados viviam dando problemas e por isso foram abandonados. São apenas 15 kms em linha reta, mas demoram nos barcões. Não são desconfortáveis, mas podiam ser muito melhores, muito mais equipados, muito mais bonitos. Fomos meio que lentamente passando por debaixo da Ponte Rio-Niterói, entre petroleiros, observando pequenos barcos pesqueiros, minúsculas ilhas e pedras até que finalmente reconheci a Ilha de Brocoió e pude dizer: “estamos indo para ali ó”. Reparem que a ilha fica mais para o meio do que para o “fundão” da baía, bem mais perto de São Gonçalo. Vovó morava em São Gonçalo e lembro de que uma vez, eu com talvez uns 8 anos, fomos todos para Paquetá saindo em barquinhos de uma praia de São Gonçalo. Foi uma aventura porque na volta a maré tinha secado, o barquinho não conseguiu encostar no pier e os homens tiveram que caminhar na lama carregando as crianças e mulheres.

Com tanta história, com tanta beleza, fossemos nós um país rico, certamente o local seria um ponto turístico bem cuidado e mais valorizado. É uma ilha pequena, mas um ancoradouro calmo, com lindas paisagens que poderiam ser exploradas com lindos hotéis e restaurantes. Não rola, é tudo meio pobre, meio quebrado e meio abandonado. Decadente, como todo o Rio de Janeiro. Os cariocas com dinheiro, existem, mas são poucos, não tomam conhecimento de Paquetá, que é lugar de pobre.
Foi pela primeira vez descrita pelo cosmógrafo André Thevet, da equipe do francês Villegagnon, dez anos antes da fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1555. Era habitada pelos índios tamoios/tupinambás, parças dos franceses e por lá rolaram diversas batalhas contra os índios temiminós, estes parças dos portugueses. Araribóia foi um grande chefe temiminó. A etmologia do nome sempre foi controversa e polêmica: muitas conchas ou área com muitas pedras ou muitas pacas. Hoje em dia a hipótese mais aceita é o de ilha de muitas pacas, corroborada pela publicação dos escritos de André Thevet, que narra a abundância na ilha do animal Pacarana, parente próximo da paca.

No século XIX a ilha viveu o seu ponto mais importante, pois D. João VI e depois outras autoridades imperiais iam com frequência para lá, onde inclusive exilou-se José Bonifácio, o Patrono da Independência. “Além de sua atuação política, teve uma destacada carreira como naturalista, notadamente no campo da mineralogia, tendo recebido reconhecimento internacional ainda em vida. Descobriu quatro minerais, incluindo a petalita, que mais tarde permitiria a descoberta do elemento lítio, e a andradita, batizada em sua homenagem.” Wikipedia
Passeamos, tiramos fotos, vimos a Maria Gorda, árvore baobá tombada, entramos na Igreja de Senhor Bom Jesus do Monte e pegamos a balsa de 17:30 para voltar. Terras de São Roque porque ele é o padroeiro da Ilha. Um belo dia, recomendo a visita. Sem muitas expectativas, deixe-se surpreender e capriche nas fotos, elas tendem a ficar mais bonitas do que a realidade.









