Fortaleza de São João da Barra
Finalmente, depois de uns 40 anos, tive a oportunidade de entrar novamente na Fortaleza de São João da Barra. Na primeira vez, mais de 40 anos atrás, fui de noite treinar vôlei com o time da TV Globo. Fui cair na besteira de dizer que eu jogava vôlei, e de fato joguei razoavelmente apesar de não ser alto, e me convidaram para ir treinar… Meu Deuso, o time da Globo era formado por ex-atletas, todos ex-profissionais. Tiro, porrada e bomba, um vôlei de alto nível extremamente violento e eu arreguei, fiz o preparo físico, aqueci mas não me atrevi a entrar na quadra. Sem condições. E foi um treino noturno, ou seja, não vi quase nada.


Hoje não, estava um dia muito lindo e meu amigo Mário Nakamura me convidou para ir vê-lo disputar um campeonato de Master lá na linda piscina da Escola de Educação Física do Exército, dentro do Forte. E já disse: “Vai lá porque certamente vai rolar matéria para o Olhando a Cidade”. Não podia estar mais certo.
O acesso ao local é restrito. É como um mini-bairro dentro da Urca, tem residências, as instalações esportivas e o Forte em si. E praias lindas, exclusivamente para os moradores, militares e pessoas que de alguma maneira conseguem um Passe para ter acesso ao local. É lindo demais, e as praias, incríveis.
A história do lugar não poderia ser mais interessante e rica. Ali, dez anos depois que o francês Nicolas Durand de Villegagnon estabeleceu-se na Ilha de Serigipe, os portugueses em 1565 começaram a campanha para expulsá-los. A ilha de Villegagnon atual, onde fica a Escola Naval, era a Ilha de Serigipe. Estácio de Sá fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na Ilha da Trindade, pois o Morro Cara de Cão ficava separado do continente. Com a chegada de reforços vindos de São Paulo, trazidos por Mem de Sá, e aproveitando-se de que Villegagnon tinha voltado para a Europa, os portugueses fizeram um ataque final em 1567, onde junto com os Temiminós, derrotaram os franceses e seus aliados Tamoios. Com a vitória, a cidade foi transferida para o Morro do Castelo. Somente este pequeno parágrafo dá assunto para um livro inteiro.

De uma instalação rudimentar de madeira em 1565, o Reduto de São Martinho, em 1572 vira Reduto de São Teodósio, já ampliado e melhorado. Seis anos depois é construído o Forte de São José e em 1618 o Reduto de São Diogo e todo o conjunto passa finalmente a se chamar Fortaleza de São João da Barra do Rio de Janeiro. D. Pedro II ordenou uma grande reforma em 1872 e a função de artilharia costeira permaneceu ativa até, acreditem, 1991. Hoje é um grande Centro de Capacitação do Exército e esta pérola, incrustada na Cidade do Rio de Janeiro.
Curtam as fotos e olhem que beleza de lugar.










































