A Rua Pirangi e o Porto de Maria Angú
Finalmente achei um mapa que parece explicar as controvérsias e divergências sobre a localização do Porto de Maria Angú!
Dos 8 aos 17 eu morei em Olaria. Quando nasci, morávamos na Rua do Senado, em um prédio que está lá até hoje e de onde tenho as minhas lembranças mais antigas, como por exemplo lembrar de papai Bento guardando sua Lambretta dentro da portaria, debaixo da escada. Dali ele inventou de comprar um apartamento em Coelho Neto, para não pagar mais aluguel, mas mamãe Araci sempre foi contra, se hoje já é longe e ruim, imagine no final dos anos de 1960. Brigaram feio mas voltaram a morar juntos em Bonsucesso, que era mais aceitável e perto. E logo depois, livramo-nos do aluguel comprando esta casa de Olaria.

Ela era perto da “Variante”, que é como os mais velhos chamavam a Avenida Brasil. Papai e Vovô Luis só a chamavam assim. Quando da decisão de se construir novos acessos para a cidade, foram feitos vários projetos e este que venceu era uma “variante” de um outro projeto. Ficou o nome, que já morreu, somente eu e mais meia dúzia de vivos lembram-se do que é a Variante.
A Rua Claudionor Jordão, ou Jordan, liga a Rua Pirangi à Rua Comandante Vergueiro da Cruz. Ali na Rua Pirangi tinha um comércio antigo e inexplicável para a situação da época… Armarinho da D. Isaura, Farmácia do Omar, Padaria do Oscar, o Bar do Sardinha, o Bar do Abel e mais um na esquina com a Avenida Brasil, que eu não lembro, mas que meu Consultor, o Homero Tico-Mico me garantiu que existiu. E principalmente um Ponto de Lotação. Para que tudo isso naquele ponto as margens da Avenida Brasil? Do meio para o final dos anos de 1970 isto tudo foi se desfazendo, pois o mundo tinha mudado.
E o que mudou? Ali, no passado, tinha um Porto de Passageiros da Praia de Maria Angú. Eles vinham da Ilha do Governador, desembarcavam ali e pegavam o Lotação para ir para a Estação de Trem de Olaria e ir para o Centro. Outros faziam o sentido contrário, pegavam barcos para ir para a Ilha do Governador e até para a Praça XV, mas ainda nãno achei evidências destas linhas de barco. Os que pegavam o trem em Olaria, faziam baldeação para a Central do Brasil ou iam para a então ainda linda Estação da Leopoldina.

Um crime o que fizeram com a Baía da Guanabara, aterraram e acabaram com quase todos os balneários que existiam em toda a sua volta. A Praia de Ramos, hoje piscinão de Ramos, já foi um Balneário com investimentos para tornar-se a Copacabana da região. O escudo do Olaria, por exemplo, possui 2 remos, pois o Clube tinha sede náutica na praia e uma equipe de remo. Toda esta natureza, toda esta história foi destruída.

Testemunha que fui de parte disso tudo, penso em um dia “cair dentro” de estudar estas transformações, e fazer um livro contando como era a Praia de Maria Angú. Não cabe em um Post do Olhando a Cidade.

Voltando ao Mapa que achei…reparem… eram 2 (dois) píeres na Praia de Maria Angú. Um pequeno, do lado esquerdo, que é exatamente no prolongamento da Rua Pirangi. Era também o Porto de Maria Angú mas só para passageiros e barcos pequenos. Vejam que na direita, maior, já quase na Penha, temos o grande Porto de Maria Angú, que aceitava cargas e que para isso dispunha até de um ramal da Estrada de Ferro Rio D’Ouro, que levava gado para o Matadouro da Penha. O Caminho de Maria Angú, como está no mapa, tornou-se depois a Rua Comandante Vergueiro da Cruz.






É uma história fascinante. E quanto mais procuro pela antiga Maria Angú, mais descubro que aquela praia que desapareceu debaixo da cidade ainda está escondida em mapas, ruas, trilhos, nomes e memórias.


