OlhandoaCidade

Rio do Café

E neste feriado de Tiradentes, fui olhar uma parte do Estado do Rio de Janeiro que eu olhei muito pouco em toda a minha vida… se passei por aquelas bandas umas três vezes, foi muito. Já começa a ficar meio longe e a minha galera de motociclistas não consegue ir neste longe. Uns não aguentam mesmo, são fracos, verdadeiros bunda-moles, e a bunda dói de verdade. Outros não conseguem um cobiçado “Alvará de Dia Todo”, muitos saem sem qualquer tipo de documento ou alvará, sujeitando-nos a rolés curtos de no máximo até Itaipava. É uma tristeza.

A Sra. Barreto, Dona Mônica Monnerat, é princesa suíça da Casa Real de Duas Barras. Seria muito ryca, se não existissem outros milhares de Monnerat, Tardin, Lutterbach e Erthal na região. Ela herdou uma fazenda de café que operava até pouquíssimo tempo, dei sorte, livrei-me desta faina. Fomos lá conhecer suas ex-terras e aproveitamos a hospitalidade da Fazenda Riviera, de seu primo. O que não faltam são primos com sítios e fazendas na Região. Os Monnerat, de origem suíça francófona, foram atraídos por D. João VI para o Brasil, chegando em Friburgo por volta de 1820. Junto com mais ou menos 2 mil outros suíços, vieram para estas terras desconhecidas, difíceis de cultivar, sem nenhuma infraestrutura e se multiplicaram como coelhos por aqui. Devem ter achado bom o clima mais quente do que os Alpes europeus e não perderam tempo cultivando e se multiplicando. Espalharam-se por outras regiões, especialmente Cantagalo, onde desenvolveram extensas e produtivas fazendas. Nestes duzentos anos foram dividindo estas fazendas e hoje são centenas. Já produziu muito café, muitos Barões, muitos Capitães, já teve estrada de ferro. Antes do trem, este café descia no lombo de tropa de burros e ia embarcar para o Rio de Janeiro no Porto das Caixas, onde minha família tem também raízes. Esta saga, a dos suíços no Brasil, a saga do café no Estado, dá história para muitos livros. Já fomos um Rio de Café.

Indo para a Riviera, já passamos pelo Segundo Distrito de Duas Barras, a encantadora localidade de Monnerat, onde tudo é Monnerat, o boteco, a estação de trem, a UBS de saúde, a praça, a avenida, tem Monnerat em tudo. Uns vinte quilômetros de estrada de terra depois, chegamos a fazenda.

Tivemos tempo de ir até Duas Barras, onde ainda tem muito Monnerat e depois estiquei até Carmo, que eu nunca pensei que fosse conhecer um dia. Carmo é uma cidade calma e esquecida… quando você houve falar em Carmo-RJ? Nunca né? Duas Barras ainda tinha (não tenho visto mais) o leite. Ah! E Duas Barras é também a cidade natal de Martinho da Vila, que o homenageou com uma linda estátua no também lindo mirante na Estrada. Monnerat, Duas Barras e Carmo dividem um tempo tranquilo em comum. Pouco movimento, pouco trânsito, limpas, arrumadas, com igrejinhas bonitas, uma vida muito diferente e que merece muito ser olhada. No caminho, logo depois e Nova Friburgo, passamos por Bom Jardim, que tenho que ir olhar, e foi-me prometido para breve uma visita a Cordeiro e depois, mais longe um pouco, Cantagalo. No tempo dos dinossauros, era tudo Cantagalo, que desmembrou-se em Nova Friburgo, Cordeiro, Duas Barras, Itaocara, São Sebastião do Alto, Trajano de Morais e finalmente Santa Maria Madalena. Carmo e Sumidouro já tem outra origem.

As fotos ficaram bem bonitas, visitamos as fazendas dos primos, zanzamos por lá, e me aguardem , irei olhar as outras cidades e fotografar. Em breve. Foi uma viagem muito divertida e interessante. Vejam as fotos.

Publicitário, Designer, Historiador, Jornalista e Pioneiro na Computação Gráfica. Começou em publicidade na Artplan Publicidade, no estúdio, com apenas 15 anos. Aos 18 foi para a Propeg, já como Chefe de Estúdio e depois, ainda no estúdio, para a Agência da Casa, atual CGCOM, House da TV Globo. Aos 20 anos passou a Direção de Arte do Merchandising da TV Globo onde ficou por 3 anos. Mudando de atuação mais uma vez, do Merchandising passou a Computação Gráfica, como Animador da Globo Computação Gráfica, depois Globograph. Fundou então a Intervalo Produções, que cresceu até tornar-se uma das maiores produtoras de Computação Gráfica do país. Foi criador, sócio e Diretor de Tecnologia da D+,depois D+W, agência de publicidade que marcou uma época no mercado carioca e também sócio de um dos primeiros provedores de internet da cidade, a Easynet. Durante sua carreira recebeu vários prêmios nacionais, regionais e também foi finalista no prestigiado London Festival. Todos com filmes de animação e efeitos especiais. Como convidado, proferiu palestras em diversas universidades cariocas e também no 21º Festival da ABP, em 1999. Em 2000 fundou a Imagina Produções (www.imagina.com.br), onde é Diretor de Animações, Filmes e Efeitos até hoje. Foi Campeão Carioca de Judô aos 15 anos, Piloto de Motocross e Superbike, mantém até hoje a paixão pelo motociclismo, seja ele off-road, motovelocidade e "até" Harley-Davidson, onde é membro fundador do Museu HD em Milwaukee. É Presidente do ForzaRio Desmo Owners Club (www.forzario.com.br) e criou o site Motozoo® - www.motozoo.com.br -, onde escreve sobre motociclismo. É Mestre em Artes e Design pela PUC-Rio. Como historiador, escreve em https://olhandoacidade.imagina.com.br. Maiores informações em: https://bio.site/mariobarreto

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