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Dia Azul no Morro Azul!

Eu sempre tive uma grande curiosidade sobre o Morro Azul. Só vim saber que existia um morro ali quando da inauguração da Estação do Metrô Morro Azul, que depois mudou para Estação Flamengo atendendo a um pedido da população. Lembro vagamente até de uma fofoca dizendo que o Presidente Figueiredo, tricolor, de sacanagem não deixou ter uma estação Flamengo. Mas o fato é que eu andei de Metrô com estação Morro Azul, hehe.

A vista do alto do Morro Azul

Pois é, ali entre o Flamengo, Botafogo e Laranjeiras, tem um pequeno morro cheio de histórias. Por um lado, o lado da Universidade Santa Úrsula e o Palácio do Governador, foi feito um corte na pedra e que dá acesso a Rua Pinheiro Machado. O morro tem uma subida por ali, o lado “rico do morro”, uma rua sem saída.

No Bosque Ecológico Nossa Senhora de Lourdes. Há um projeto de construir aí uma gruta e levar turismo para o local.

Eu hoje resolvi subir pela Rua Paulo VI, o lado pobre. Eu já tinha combinado com um mototaxista de um dia subir com ele, mas hoje, como é feriado, não tinha nenhum lá trabalhando. Subi na marra e dei a maior sorte, pois parei para pedir ajuda em um bololô de gente e lá conheci o Sr. Maurício, o Presidente da Associação de Moradores do Morro Azul! Ele, gente boa e tranquilão no último furo, me mostrou tudinho. Que adianto, foi o maior barato.

Eu e o Sr. Maurício, Presidente da Associação de Moradores

Tudo ali era mato… depois terras da Santa Casa de Misericórdia, da Ordem Terceira, “O conjunto arquitetônico desse terreno vem do século XVIII, tendo sido residência do proprietário de quase toda a região hoje denominada de Botafogo, o Sr. José Fernandes, filho do conhecido contratador de diamantes Dr. João Fernandes de Oliveira (que viveu em Diamantina, de 1755 a 1770) e da famosa ex-escrava Chica da Silva, que, teria financiado escravos libertários, muitos dos quais teriam usado o Morro Azul (antiga Chácara da Mangueiras) como trilha de fugas para construírem quilombos no interior das matas que cobriam a Zona Sul.” Ali, inclusive, em um estudo mais completo que farei um dia, tivemos a instalação de uma “Casa da Roda“, uma instituição da Santa Casa de Misericórdia e do Abrigo e Educandário Romão Duarte. O Educandário Romão de Mattos Duarte, inicialmente denominada Casa da Roda e logo após Casa dos Expostos, foi fundada aos 14 de janeiro de 1738, pelo filantropo Romão de Mattos Duarte. São 283 anos de serviços prestados a comunidade carioca…

Quase um bairro popular.

Tudo muito tranquilo, o morro é todo urbanizado, não tem casas de madeira, segundo ele, por obra e trabalho do padre francês Paul Riou, que estabeleceu critérios e muito fez para a comunidade do Morro Azul. Tem lá uma placa agradecendo e fotos do Padre na casa da Associação de Moradores.

Perguntei pela violência, drogas, e ele me disse que é “controlada”. Não sei bem o que significa isso mas contentei-me com a resposta.

Centro de porradaria geral. O treinamento.

No alto do Morro, além da caixa d’água, temos uma quadra onde rolam shows e também digno de nota é o centro de treinamento e arena de lutas do Aldo e do Dedé, uma parada doida. Entrei e vi um imenso octógono e uns 50 homens fortes prá dedéu saindo na porrada por todos os lados da grande e bonita instalação. Parece que o nome disso é “treino”… Se eu chegasse mais cedo eu veria o treino feminino, que deve ser mais bacana.

A caixa d’água no alto do morro.

Clicando neste link aqui vocês poderão ler o que a Wikipedia fala sobre o Morro Azul, é um resumão legal. Curti muito conhecer o Morro Azul, conhecer o Maurício, olhar a cidade do alto.

Como era ruim
Linha do tempo do Morro
Visual para Laranjeiras
Visual para a Praia do Flamengo. Lá ao fundo, Icaraí, em Niterói

Por Mário Barreto

Historiador, Diretor de Filmes, 3D/VFX. Guru em Computação, viciado em Motociclismo.

9 respostas em “Dia Azul no Morro Azul!”

Muito boa resenha. Conhecendo msis um pouco da minha cidade maravilhosa através do olhar atento do meu historiador preferido: Mário Barreto.
Obrigada, primo!

Aaaaa esse eu conheço … morei na Rua Paulo VI, nos fundos do prédio havia um bosque que dividia o terreno com o morro de boa 😎

morei na marquês de Abrantes e no dito morrohavia um galinho sempre a cantar pela madrugada. Naquele tempo não tinha baile funk e o Morro parecia bem tranquilo com umas poucas dezenas d casinholas. Bem legal a reportagem! dá até vontade d subir o morro!

Muito bom conhecer o Morro Azul. Eu estudei um período na Santa Úrsula, mas nunca soube o nome do morro e não conhecia nada além de que era u, exercício brabo ir até o laboratório de elétrica. To adorando seus passeios pelo Rio e as matérias.

Tô adorando essas suas aventuras pelo Rio. Nem sabia que aquela ladeira era um bairro, com um nome tão bonito: Morro Azul. E que história! Valeu!

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